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POLÍTICA NACIONAL

Um banqueiro, autoridades dos três Poderes e políticos de vários partidos: os tentáculos do caso Master

Pesquisador da UFMG analisa o escândalo, compara o caso à Lava Jato e ao Mensalão e vê no Master um novo modelo de corrupção no Brasil

20/06/2026 16h33Atualizado há 8 horas
Por: Godofredo Costa
Fonte: Canal Meio

O escândalo envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro pode representar um novo tipo de corrupção no Brasil. A avaliação é do cientista político Leonardo Avritzer, professor aposentado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em entrevista concedida à jornalista Flávia Tavares, do canal Meio.

Especialista em democracia e corrupção, Avritzer afirma que o caso é bastante diferente da Operação Lava Jato.

Segundo ele, a Lava Jato investigava grandes empresas, contratos públicos e esquemas de financiamento político. Já o caso Master teria como centro os interesses particulares de um único empresário.

"Daniel Vorcaro não representa o sistema financeiro. Ele representa os próprios interesses", resume o cientista político.

Professor Leonardo Avritzer, pesquisador da UFMG (Foto Divulgação)

Os tentáculos do caso

O alcance político do caso Master é um dos pontos que mais chamam a atenção do cientista político Leonardo Avritzer.

Ao longo das investigações e das revelações já divulgadas, surgiram nomes ligados ao governo atual, ao governo anterior, ao Congresso Nacional, a governos estaduais, ao Banco Central e ao Judiciário.

Entre os políticos citados em diferentes momentos das apurações estão os presidentes do Senado e da Câmara, Davi Alcolumbre e Hugo Motta; o senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado; o senador Ciro Nogueira; e o senador Flávio Bolsonaro.

O Supremo Tribunal Federal também acabou inserido no debate após suspeitas e questionamentos públicos envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Até o momento, porém, não existem acusações formalizadas nem conclusões definitivas das investigações em relação aos ministros.

Essa diversidade de nomes, distribuídos por diferentes correntes políticas e instituições, é justamente um dos elementos que levam Avritzer a afirmar que o caso Master se diferencia dos grandes escândalos de corrupção do passado.

Um banqueiro, não um setor

Na Lava Jato, grandes empreiteiras foram investigadas por supostos esquemas envolvendo a Petrobras e partidos políticos.

No caso Master, Avritzer afirma que não há indícios de participação do sistema financeiro como um todo.
Segundo ele, os grandes bancos brasileiros, inclusive, teriam sido os primeiros a se preocupar com os riscos provocados pelas operações do banco.

"O problema não seria o sistema financeiro, mas a atuação de um banqueiro que buscou proteção política para seus negócios", afirma.

Políticos de vários partidos

Outro ponto destacado pelo pesquisador é que os políticos citados até agora pertencem a diferentes grupos políticos.
Segundo Avritzer, a maior parte dos nomes envolvidos pertence ao Centrão e a partidos de direita, embora investigações recentes também tenham alcançado setores ligados ao PT na Bahia.

Ele avalia que, até o momento, os benefícios obtidos pelos políticos parecem ter sido individuais, e não destinados ao financiamento de partidos ou campanhas eleitorais.

Para o cientista político, essa é uma das principais diferenças em relação aos grandes escândalos de corrupção do passado.

STF no centro da investigação

Avritzer também considera importante o fato de a investigação estar sendo conduzida sob supervisão do Supremo Tribunal Federal.

Na avaliação dele, isso reduz os riscos de politização que marcaram a Lava Jato.

O cientista político afirma que existe hoje no STF um entendimento de que os erros cometidos naquela operação não devem se repetir.

Ele cita as posições diferentes de ministros como Gilmar Mendes e André Mendonça como exemplo de equilíbrio e fiscalização interna dentro da Corte.

Dinheiro público e interesses privados

Segundo Avritzer, o caso Master aconteceu na fronteira entre o setor privado e o poder público.

Ele afirma que o banqueiro precisou de apoio político e institucional para sustentar seus negócios, especialmente em áreas relacionadas ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), aos fundos de pensão e à regulação financeira.

"O fundo garantidor foi criado para proteger pequenos investidores, e não para salvar as aventuras de um banqueiro", afirma.

Para ele, o caso deverá provocar mudanças na fiscalização do sistema financeiro e dos fundos de investimento.

Flávia Tavares, Editora Chefe do canal Meio (Foto: Divulgação)

Efeito nas eleições

Sobre as eleições de 2026, Avritzer considera cedo para fazer previsões.
Mas ele avalia que, até o momento, o desgaste político atinge mais nomes ligados à direita e ao Centrão do que ao governo Lula.

Se as investigações permanecerem restritas a alguns setores do PT na Bahia, o cientista político acredita que o presidente Lula pode acabar sendo beneficiado politicamente.

Por outro lado, se novas revelações atingirem outras áreas do governo, o cenário poderá mudar.
Segundo Avritzer, o eleitor continua considerando a corrupção um tema importante na hora de votar.

"O que influencia a eleição é a forma como o escândalo se distribui entre os diferentes grupos políticos", conclui.

Fonte: Entrevista do cientista político Leonardo Avritzer à jornalista Flávia Tavares, publicada pelo canal Meio.

Observação: O caso Master segue sob investigação. As opiniões reproduzidas nesta reportagem pertencem ao cientista político Leonardo Avritzer e não representam conclusões definitivas das autoridades.

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